“Mãe do Miguel”: é assim que Camila Bertão, de 29 anos, se descreve logo de cara. Enfermeira, ela se afastou um pouco da profissão “oficial” para cuidar e dar a atenção ao filho, hoje com 4 anos, que tem autismo.

“Todo trabalho é árduo, porém eu não trocaria por nada a minha vida de ser MÃE DO MEU CAMPEÃO”

“Dia após dia, com terapias, brincadeiras educativas, brincadeiras em família e muito, muito amor e paciência, educamos nosso filho”, afirma Camila, que sempre teve latente a vontade de ser mãe.

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Ela tinha 24 anos quando descobriu que estava grávida e que receberia “o melhor presente de sua vida”: “Miguel não foi naaaaada planejado, mas depois da descoberta foi muito amado e esperado”.

Miguel tem quatro anos e é a razão de viver de Camila – Arquivo Pessoal

Camila, na época, atuava como enfermeira-chefe no período noturno de um hospital no interior de São Paulo, trabalhava em horários não convencionais, mas passou por uma gravidez tranquila, sem riscos aparentes. “Miguel nasceu no mês de novembro, de 38 semanas e 4 dias. Ele era magrelo e comprido. Perfeito e lindo aos meus olhos!”, afirma.

Evolução 

“No primeiro mês de vida, tive dificuldade em fazer ele aprender a mamar direito. Ele tinha dificuldade em fazer a ‘pega’ no peito, mas com muita persistência e paciência, consegui fazer ele mamar”, explica Camila.

Aos seis meses, o bebê balbuciava alguns sons incompreensíveis e adorava assistir desenhos na televisão: “Se eu deixasse, ele passava o dia todo assim”.

Mais tarde, com um ano, a família começou a entender algumas palavras que ele dizia. “Mã (mamãe), papa (papai), e peppa… esta ele falava certinho”, brinca a enfermeira.

Foi nesse período que ela e o marido começaram a perceber algumas dificuldades do menino. “Ele não olhava ao chamarmos seu nome, podíamos chamar ele inúmeras vezes, ele só nos atendia se era oportuno para ele no momento. Meu coração de mãe via algo diferente, mas não queria acreditar, pois ele é meu único filho e única criança na família”, conta.

“Com 1 ano e 3 meses nosso Mig andou! Que alegria!!! Mas e a fala? Havia sumido”

“Nem as palavrinhas que ele havia aprendido falava mais. Ele passou a falar de um modo que apelidamos como ‘Miguelês’, porque era algo que somente ele entendia”, diz Camila.

A descoberta do autismo

“Aos 2 anos fomos para escolinha pela primeira vez. Ele adorou ter contato direto com outras crianças, se adaptou relativamente fácil. Mas, poucas semanas após o início das aulas, fui comunicada de seus comportamentos atípicos em sala de aula e levantou-se a hipótese de AUTISMO”, explica.

“O quê??? Meu filho ama beijar, abraçar, carinho, olha nos meus olhos, não fica excluído no cantinho. Impossível”

“Caros leitores da Bá: se alguém tem essa visão primitiva do autismo como eu tinha, de que autista é somente aquela criança que fica excluída, se debate a todo instante, grita a todo momento, vamos nos aperfeiçoar e adquirir conhecimentos. Autismo tem graus, e é um Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou seja, raramente vamos encontrar um igual ao outro. Eles estão dentro de um espectro, raramente terão características 100% iguais dentro de um mesmo diagnóstico”, aconselha Camila.

Após muitas consultas com psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas e médicos, o diagnóstico de autismo foi cravado. “Como mãe, posso dizer que senti no primeiro momento uma dúvida do que fazer. Mas, num segundo momento, pensei: Nós vamos vencer esta batalha!”

“Hoje, aos 4 anos e meio, ele consegue se comunicar de forma funcional, porém temos muita batalha ainda pela frente”, completa.

Conselho de mãe

Para quem está passando por uma situação parecida, Camila Bertão deixa uma mensagem. “Nossos filhos, antes de terem qualquer transtorno, são crianças. Vamos cuidar deles da forma adequada, dando um passo de cada vez, respeitando cada fase, deixando-os livre para brincar. E o principal é: NUNCA SUBESTIME A CAPACIDADE DELE, por eles sempre nos surpreende”, afirma.

“Todo trabalho é árduo, porém eu não trocaria por nada a minha vida de ser MÃE DO MEU CAMPEÃO”

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