A fotografia surgiu como uma forma de salvação para Milena Paulina. Uma mulher que se sentia invisível aos próprios olhos, mesmo que acreditasse no oposto. Quando pequena, Milena passou por uma experiência que a fez querer apagar a existência do próprio corpo.

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Por um tempo, acreditei que se eu não pensasse no que estava acontecendo, então realmente não estaria acontecendo. O corpo não estaria sendo constantemente violado, a alma não estaria em pedaços. Igual um pesadelo que, ao acordar,  iria simplesmente deixar de existir.”

“Eu não me via, não me enxergava”

Ao longo de sua vida, ela trabalhou para ser a melhor versão do que ela fazia, embora achasse que nunca seria suficiente: “Eu necessitava, no fundo, me enxergar. E me enxergar, acima de tudo, com amor”.

 

Milena Paulina é modelo para o ensaio “Eu, gorda” – Foto: Gean Dittmam

 

O encontro com a representatividade 

A fotografia chegou a Milena através de um ensaio da modelo plus size Jacqueline Jordão. “Foi a primeira vez que eu vi um corpo gordo, semelhante ao meu, em forma de arte, e então eu soube que era aquilo que eu precisava: representatividade”, diz.

Ao entender, em 2016, que o que realmente queria era gravar o que as pessoas estavam sentindo, ela comprou uma câmera e deu início ao projeto “Eu, gorda”, que traria a representatividade, desta vez, para sua vida e de outras pessoas que sentissem o mesmo que ela.

“Ele [o projeto] é extremamente pessoal: algo que sai do fundo da minha alma e que grita por mudança, que grita por arte, que grita por beleza, que grita pela humanização do corpo gordo, que grita basta a todos os tipos de violações aos nossos corpos”

A youtuber Luiza Junqueira foi fotografada para o projeto – Foto: Milena Paulina

O “Eu, gorda”

Segundo Milena, os maiores objetivos do projeto são: “Passar a mensagem de que é possível se permitir, se redescobrir, se enxergar com mais amor, se conhecer melhor e se orgulhar de toda a sua história, se reunir com outras mulheres e ter a certeza de que não estamos sozinhas, achar nenhuma mulheres semelhante a nós, sem que seja uma ‘cota’, que é possível mostrar para todas as mulheres gordas quem elas realmente são e tudo o que podem fazer e ser, além de mostrar o quanto um corpo gordo também é humano e o quanto ele pode brilhar”. 

Antes dos ensaios, as mulheres – e agora homens também – participam de uma roda de conversa. Nas imagens, Milena busca registrar ângulos que aquelas pessoas nunca viram, para que possam se enxergar, se compreender, se aceitar e se amar.

O encontro acontece de maneira coletiva, com até seis pessoas por dia, e tem início logo cedo. Todas têm a oportunidade de falar. Na sequência, os ensaios individuais começam. O resultado, segundo a fotógrafa, é fruto da conexão que houve no bate-papo.

E não é que as fotos ficam extraordinárias? Veja alguns ensaios:

Ensaio “Eu, gorda” mostra a beleza do corpo gordo – Foto: Milena Paulina
Ensaio “Eu, gorda” mostra a beleza do corpo gordo – Foto: Milena Paulina

Serviço: 
Informações sobre a agenda e valores por meio do Instagram ou por e-mail: olhardepaulina@gmail.com

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