Hoje, 4 de outubro, é dia de São Francisco de Assis, o padroeiro dos animais. O dia em que a minha cachorrinha Zana, aos 14 anos, descansou. Foram anos tão incíveis ao lado dela, uma cadelinha dócil, sensível, amorosa. Ela era um anjo, estava aqui para ensinar muito sobre amor pra gente. E hoje, ao nos despedir dela em corpo, percebo que ela foi uma professora incrível.

Eu ia surtar se não escrevesse tudo o que eu estou sentindo. Nem sei se sairão todas as palavras – se é que existem palavras para descreve o turbilhão de sentimentos que estão aqui em mim.

É um misto de agradecimentos imensos a Deus, ao universo, que colocaram a Zana na nossa vida, e de saudade. Minha irmã comprou a Zaninha numa feira de animais na Bahia, ficou com dó daquela pequenininha ali, no meio de tantos outros bichinhos, e a trouxe pra São Paulo. Minha mãe se apaixonou por aquela criaturinha que, ao colocar as patinhas aqui, mostrou ser a alma gêmea dela.

E elas eram mesmo muito parecidas – o jeito, o tamanho (minha mãe é toda miudinha também), o lençol cobrindo a cabeça na hora de dormir. Zana (o nome era uma piadinha de “ratazana” exatamente por conta do tamanho) foi um anjo nas nossas vidas.

Ela absorveu e transmutou a energia da casa quando tudo estava triste, deu lições de paciência, dedicação e tanto amor que não tenho nem como exemplificar tamanho aprendizado. Louco isso, né? Porque ela era um animalzinho tão indefeso, que dependia da gente pra tudo, e foi quem mais nos ensinou e nos ajudou a evoluir.

A primeira lembrança que eu tenho dela, na verdade, foi de quando eu nem a conhecia. Eu estava participando de um encontro de jovens na igreja e recebi cartinhas de familiares e amigos. Eu estava no primeiro colegial. Minha irmã mandou uma foto da Zaninha com um texto atrás, como se ela tivesse escrito. Foi a primeira demonstração de carinho dela comigo.

Tempos mais tarde, numa viagem que a gente fez pro sul, a Zaninha entrou correndo na casa que havíamos alugado em Floripa e se jogou na piscina. Aff, foi um corre corre pra pegar aquela cachorra. Ficaram as risadas.

O Frederico, hoje com 15 anos, sempre latia para chamar a atenção. Quando não conseguia, fazia que fazia para a Zana entrar em ação. Ela uivava de um jeito que todos nós saíamos correndo pra atender os dois espertinhos.

Quando morávamos na antiga casa, um dia passeando na rua com meu pai, a Zana foi atacada por um Chow-chow. Meu pai puxou ela pela coleira, chutou o cachorro longe, e defendeu a nossa pequena. Que susto, vocês nem imaginam. Mas ela ficou bem rapidamente.

Zaninha andava delicada, com suas patinhas pequeninas, quase num desfile pela casa. Quando ficou ceguinha por conta da catarata, ela tateava lindamente o chão para chegar onde queria.

Ai, minha pequena. Tá doendo demais não ver você tomando água de um jeito todo fofinho, pedir colo ou carinho pra gente quando já nao estava muito bem. Você é luz agora. E se iluminou tanto nossa família, tenho certeza que vai iluminar todos os lugares para onde for.

Obrigada por ter existido pra nós.

 

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