***Por Ana Liz

A Bá me convidou pra falar um pouquinho da minha transição na mudança de país. Para alguns talvez soe um pouco banal, mas, do lado que cá, é bem mais difícil do que imaginamos. Mudar pra República Tcheca nunca esteve nos meus planos, acho que ninguém do Brasil pensou em um dia mudar pra cá (ou nem sabe onde fica). Mas a Česká Republika, como aqui é chamada, fica no meio da Europa.

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Além de ter todas as mudanças – que já é difícil na troca de cidade ou estado dentro do Brasil – aqui, com toda a distância, o processo é bem mais intenso. Por quê? Eu ainda estou descobrindo, pois cheguei aqui há apenas um mês, mas já bate muito desespero.

“Vontade de voltar pro Brasil então é o que não falta”

A primeira diferença gritante em relação ao Brasil é o idioma! Sim, aqui poucas pessoas falam inglês. Quem fala, fala o básico, mas a língua mesmo é o Tcheco (Český). Não estou medindo esforços para aprender a língua, estou matriculada num curso presencial para estrangeiros. Junto comigo fazem aula um americano e um madagascarense (aliás como chama quem é de Madagascar? não faço ideia!) rsrsrs. A aula é em inglês para Tcheco, ou seja, para mim que sei o básico de inglês a dificuldade é gigantesca. Mas, aos poucos, estamos indo – hoje já consigo ter um mínimo de diálogo numa loja, pedir licença no tram (bondinho) lotado. Coisas cotidianas mesmo!

Ana Liz – Arquivo Pessoal

“Conversar com as pessoas e entendê-las, porém, é uma tortura, sinto-me como se estivesse numa espaçonave com ETs falado comigo, ou qualquer outra coisa!”

A segunda dificuldade é a falta de coisas pra fazer. Eu vim pra cá com meu companheiro, ele veio para trabalhar, e eu vim como familiar. Ou seja, até 6 meses eu não posso ter um emprego, a não ser que eu encontre um que a empresa esteja interessada em pagar pelo processo do meu visto. Mas, como sou pedagoga, dificilmente vai ter alguma empresa interessada no meu serviço.

“Procurar emprego por enquanto não é uma prioridade, mas ocupar a mente é!”

E aí é que está: conseguimos um apartamento para morar há apenas duas semanas, então precisamos comprar as coisas pra ele, como utensílios de cozinha (copo, talher, etc), móveis, eletrodomésticos, tudo que precisa pra uma casa pra se viver! Porém, atrasou o visto do meu companheiro e ele não começou a trabalhar ainda. Estamos vendo só as coisas mais necessárias para comprar, de uso cotidiano.

Hobbies para ocupar a mente, por enquanto, ainda não são prioridades, passamos o dia no notebook e no celular (e claro que nesse período de transição coisas acontecem, e o celular do meu companheiro morreu, mas são pequenos detalhes! rsrs).

Nessas horas bate ainda mais a saudade e o desespero de ‘deixamos nossa vida organizada como estava no Brasil para recomeçar do zero!’. Bate um desespero até de querer pintar e não ter lápis de cor em casa!

Mas, aos poucos, as coisas vão se ajeitando. Por enquanto, para ocupar a mente, estou estudando Tcheco, Inglês e Italiano. Botando em dias todas as séries no Netflix, tentando organizar um blog e um canal no youtube, e jogando joguinhos no celular! rsrsrs

E lá no começo, quando disse que faltam coisas para fazer, você deve ter se questionado: poxa, sai pra conhecer, então. Contudo, como estamos aqui há um mês e os dois com tempo livre, já fomos até em convenção de tatuagem. Mas é impossível conversar com alguém, eles te olham estranho só por você ser estrangeira.

Nós já conhecemos todos os lugares públicos, porque estamos numa cidade do interior na Morávia do Sul, e ela é a segunda maior cidade do país!

Ana Liz – Arquivo Pessoal

Além de tudo isso, aqui estamos no horário de inverno, então as 16h já está escuro, e as pessoas se encontram nas suas casas no inverno. Como não conhecemos muitas pessoas por aqui, ficamos entre nós!

Acho que a terceira dificuldade é a saudade dos amigos e familiares. O que você faria numa sexta ou sábado à noite? Normalmente sairia pra um lugar com seus amigos ou parentes, mas aqui não temos essa quantidade de conhecidos para poder organizar todo final de semana alguma coisa. Então ficamos um pouco restritos aos nossos lares. Mesmo indo sozinhos a alguns lugares, ainda assim a socialização não é a mesma coisa.

Por enquanto, pelo menos pra mim, essas têm sido as maiores dificuldades de morar aqui.

O lado bom 

É claro que tem seus lados positivos: a cidade é muito linda, a segurança de sair na rua é inacreditável, o transporte público então nem se fala, e um detalhe que é bem importante para os amantes de cerveja é que aqui a garrafa de cerveja de 500 ml é mais barata que a garrafa de água de 1L!

Os transportes públicos são incrivelmente pontuais, aquecidos, e você não precisa pagar passagem sempre, você é responsável por estar legal ou ilegal no transporte. Aqui os passes vc pode comprar por minutos, dias ou meses, e você vai renovando conforme sua necessidade! E tem um inspetor de ticket que de vez em quando aborda você, se você está irregular, você leva uma multa de mais ou R$ 2 mil.

Sobre a segurança, aqui as crianças de 5/6 anos andam na rua sozinhas, geralmente na entrada ou saída da escola, sem a presença de adultos. E é normal, ninguém mexe com elas! Você já imaginou isso? Quanto à beleza, vou deixar algumas fotos para vocês verem: 

República Tcheca – Arquivo Pessoal
República Tcheca – Arquivo Pessoal
República Tcheca – Arquivo Pessoal
República Tcheca – Arquivo Pessoal
República Tcheca – Arquivo Pessoal

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