Todo mundo tem um conselho pertinente para te dar. Afinal, você leva uma vida errada, sempre levou. “Você come demais, vai ficar igual a tia”. “Você é linda, se fechar um pouco a boca…”; “Você precisa se exercitar”; “Você precisa aprender a lidar com suas emoções”; “O psicólogo não está resolvendo. Muda”. E por aí vão centenas de frases de pessoas que te amam – sim, elas te amam. Mas só conseguem te olhar com o pensamento de que o modo como você leva a sua vida é, e sempre foi, muito equivocado.

Essas pessoas agem assim desde que você era uma menininha. E, ao mesmo tempo que elas apontaram seus erros, pasmem, tentaram te blindar de qualquer frustração desse mundão.

Eu tinha sete anos. Estava na natação e, em uma semana aprendendo, já tinha virado um peixinho. Me mudaram de raia. “Você já pode ir com os grandões”. No primeiro dia a insegurança bateu. A professora pediu para eu fazer algo que eu não sabia o que era. Fiquei com vergonha de perguntar. Chorando, tentei fazer o exercício mesmo sem entender. Fui repreendida. Me calei. Cheguei em casa magoada. “Quer sair de lá?”. Nem exitei.

Deixei de lado uma das coisas que eu mais gostava de fazer na infância. Eu não era a menina do ballet nem das artes marciais. Eu gostava da água, hoje sei bem os motivos.

Passaram-se anos dessa experiência. Sentimentos como aquele, de vergonha e medo, se repetem quase que diariamente. Tento perguntar mais, aprender com os erros e não desistir. Tento enfrentar cada “sombra” que muitas pessoas colocam para debaixo do tapete. Inclusive aquelas que te amam e têm os melhores conselhos, sabe?

O desabafo por aqui serve não só para dizer que os conselheiros que fazem isso pelo seu bem também estão com dificuldade de olhar para dentro deles mesmos. O lago parece límpido, mas eles sabem que se mexerem na água, a poeira vai subir. Nem sempre é fácil mexer naquelas colmeias das nossas vidas. Deve-se estar preparado para algumas picadas de abelha.

O texto (depois de uma sequência de metáforas) também tem o intuito de estimular você e todos os conselheiros de plantão a enfrentarem a insegurança gerada em passagens de outrora e lembrarem que mergulhar na imensidão de emoções que existem em cada um de nós, embora traga sensações aterrorizantes, não nos faz fracas. Pelo contrário: nos fortalece e nos faz crescer.

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